Funding imobiliário sob juros 2 dígitos: cenários 2025 — análise de Maneco Gomes (advogado, arquiteto, corretor e avaliador CNAI)
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Funding imobiliário sob juros 2 dígitos: cenários 2025

Especialistas do setor debatem fontes de crédito habitacional e impacto dos juros elevados na avaliação de imóveis e PTAM.

Crédito habitacional em xeque: o que muda na avaliação de imóveis

Lead: O painel realizado na Convenção Secovi-SP reuniu representantes do mercado financeiro e imobiliário para mapear o estado atual das fontes de funding habitacional no Brasil, em um cenário de taxa Selic acima de dois dígitos e pressão sobre os instrumentos tradicionais de captação — como a poupança (SBPE) e os CRIs.

Panorama do funding habitacional

| Instrumento | Participação estimada no crédito | Sensibilidade à Selic |
|---|---|---|
| SBPE (Poupança) | ~45% | Alta — migração para renda fixa reduz captação |
| FGTS / SBPE Social | ~35% | Baixa — taxa regulada |
| CRI / LCI | ~15% | Média — spread afetado pela curva longa |
| Outros (FII, CVM) | ~5% | Alta — liquidez reduzida em ciclo restritivo |

> Dados estimativos com base em relatórios Abecip/Banco Central 2024-2025. Consulte fontes primárias para laudos oficiais.

Análise técnica: reflexos na NBR 14.653

A elevação do custo de funding impacta diretamente o método da renda previsto na NBR 14.653-2, utilizado para avaliação de imóveis com base na capitalização de fluxos futuros. Quando a taxa mínima de atratividade (TMA) sobe em função dos juros de referência, o valor presente líquido dos empreendimentos residenciais e comerciais tende a cair, exigindo atualização cuidadosa dos parâmetros de desconto adotados no PTAM.

No método comparativo direto de dados de mercado (NBR 14.653-2, item 8.2), o avaliador deve atentar para a escassez de transações em períodos de crédito restrito: a redução no volume de financiamentos comprime a amostra de dados homogêneos, aumentando o intervalo de confiança e podendo inviabilizar o enquadramento no Grau de Fundamentação II ou III. Recomenda-se ampliar o recorte temporal da pesquisa e aplicar fatores de homogeneização com base em índices como o INCC-DI ou o CUB/m² regional, devidamente justificados no corpo do laudo.

Para avaliações de empreendimentos na planta ou em fase de lançamento, o método involutivo (NBR 14.653-2, item 8.4) exige revisão das premissas de VGV projetado: velocidade de vendas (VSO) mais lenta e custo de carregamento financeiro maior reduzem a margem do incorporador e, consequentemente, o valor do terreno calculado como resíduo. O engenheiro avaliador deve documentar explicitamente as premissas de taxa de desconto e prazo de absorção adotadas, sob pena de questionamento técnico do laudo.

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Conteúdo informativo, não substitui consulta jurídica ou avaliação profissional.